NEXUS SINGULAR
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Saga Eco das Realidades - Capítulo 5

Atrás das Linhas Inimigas

Em Thalassar-b, a guerra invisível finalmente revela sua verdadeira natureza.

Capítulo 5 — Atrás das Linhas Inimigas

A entrada em Thalassar-b não foi uma descida.

Foi uma ruptura controlada.

A cápsula de infiltração da Unidade Ícaro atravessou a atmosfera como um fragmento de matéria arrancado de outra realidade.

O atrito não produzia apenas calor.

Produzia instabilidade.

Pequenas flutuações gravitacionais ondulavam ao redor da nave, resultado direto da compressão anterior mal dissipada.

Para Edwin, aquilo era familiar.

Cada salto deixava resíduos.

Cada travessia deixava cicatrizes.

No espaço.

E na mente.

— Impacto em vinte segundos.

Anunciou a IA tática.

A equipe já estava pronta.

Seis operadores.

Nenhum herói.

Nenhuma margem de erro.

A Unidade Ícaro era composta por especialistas em guerra invisível.

Não estavam ali para conquistar território.

Estavam ali para alterar o resultado de eventos antes mesmo que eles fossem percebidos.

Edwin era o único com formação híbrida.

Soldado.

E descendente direto do homem que tornara aquela missão possível.

O impacto foi seco.

A cápsula cravou-se em solo vulcânico com precisão milimétrica.

Do lado de fora, Thalassar-b respirava.

Literalmente.

O ar era espesso, carregado de compostos desconhecidos e partículas suspensas que reagiam à luz de forma irregular.

O céu era de um vermelho profundo, cortado por nuvens negras que se moviam contra o vento.

Como se obedecessem a outro tipo de força.

Gravidade: 1,3G.

Temperatura: instável.

Pressão: elevada.

Ambiente: hostil à vida humana.

— Saída em três… dois… um.

A escotilha abriu.

O mundo entrou.

Edwin pisou pela primeira vez em território inimigo.

O solo não era estático.

Havia uma vibração constante, como se o planeta possuísse atividade tectônica contínua em microescala.

Ou algo mais.

Ele não descartou a hipótese mais incômoda:

que aquele planeta não fosse completamente inerte.

A equipe avançou em silêncio.

Os trajes de infiltração absorviam assinaturas térmicas e eletromagnéticas.

Reduziam-nos a sombras estatísticas no ambiente.

Ali, qualquer erro significava detecção.

E detecção significava morte.

O objetivo estava a 12 quilômetros do ponto de inserção:

um núcleo de compressão gravitacional reptiliano.

Uma estrutura capaz de canalizar energia em escala planetária através de manipulação do espaço-tempo local.

Segundo a inteligência orbital, aquele núcleo fazia parte de uma rede maior.

Uma infraestrutura destinada a projetar força através de dobras direcionadas.

Traduzindo:

uma arma.

Capaz de atingir a Terra.

A paisagem era alienígena não apenas na forma, mas na lógica.

Montanhas com ângulos impossíveis.

Formações rochosas que pareciam crescer em direções não euclidianas.

Superfícies que refletiam luz de maneira inconsistente.

Edwin percebeu rapidamente que aquilo não era apenas geologia.

Era engenharia.

Os reptilianos não apenas ocupavam o planeta.

Eles o modificavam.

— Contato a 300 metros.

A equipe congelou.

Sensores táticos projetaram a imagem no visor de Edwin.

Três entidades.

Bípedes.

Altura média de 2,4 metros.

Estrutura corporal reforçada.

Movimentação coordenada.

Os reptilianos de Khar-Zul não patrulhavam como humanos.

Eles se distribuíam como uma rede.

Cada unidade parecia atuar como um nó de percepção.

Seus movimentos não demonstravam hesitação.

Nem redundância.

Eficiência absoluta.

Edwin observou atentamente.

Seus olhos não eram apenas órgãos sensoriais.

Eram superfícies de leitura.

Analisavam.

Calculavam.

Decidiam.

— Aguardar padrão de deslocamento.

Segundos se passaram.

Os reptilianos mudaram de direção simultaneamente.

Como se tivessem recebido um comando invisível.

A rota se abriu.

— Avançar.

Eles continuaram.

Mais fundo.

Mais invisíveis.

Mais próximos do núcleo.

Ao longo do caminho, Edwin começou a notar algo que não constava nos relatórios.

Estruturas semi-orgânicas emergiam do solo.

Colunas pulsavam levemente.

Superfícies reagiam à presença deles com microvariações de temperatura.

Aquilo não era apenas tecnologia.

Era integração biológica.

Uma civilização que não separava máquina de organismo.

— Isso não é construção…
— Não. É crescimento.

A diferença era fundamental.

E aterradora.

A 2 quilômetros do objetivo, o ambiente mudou.

A densidade energética aumentou.

Os sensores começaram a oscilar.

Pequenos erros de leitura.

Atrasos de processamento.

Flutuações temporais mínimas.

Edwin sentiu primeiro.

Antes dos instrumentos.

Um leve deslocamento na percepção.

Como se o mundo tivesse…

escorregado.

Ele piscou.

E viu Beca.

Por um instante.

Clara demais.

Próxima demais.

Ela estava ali, entre as estruturas alienígenas, olhando para ele com uma expressão que não pertencia àquele mundo.

Tristeza.

Ou aviso.

— Edwin.

A voz no comunicador o chamou.

Ele voltou.

O mundo se realinhou.

— Você travou por 1,3 segundos.
— Estou bem.

Mentira.

Mas funcional.

Eles haviam entrado na zona de influência do núcleo.

O objetivo finalmente apareceu no horizonte.

Uma estrutura colossal.

Elevando-se como uma torre negra contra o céu vermelho.

Mas não era fixa.

Partes dela se moviam.

Reorganizavam-se.

Como se estivessem constantemente recalculando a própria forma.

O núcleo de compressão.

Edwin analisou os dados.

Aquilo não era apenas uma arma.

Era um ponto de ancoragem.

Uma interface.

Uma ponte entre realidades.

E então ele compreendeu.

Os reptilianos não estavam apenas tentando destruir a Terra.

Estavam tentando redesenhar o espaço ao redor dela.

— Cargas preparadas.
— Sincronização em 90 segundos.

Edwin posicionou-se junto à estrutura.

Seus sensores captaram algo inesperado.

Uma assinatura.

Familiar.

Idêntica à registrada nos arquivos de seu ancestral.

Microfraturas dimensionais.

Ativas.

Instáveis.

O Propulsor Lotbrohorst havia sido baseado nisso.

Mas aquilo…

Era muito maior.

Muito mais profundo.

— Isso não é tecnologia derivada.
— É original.

Silêncio.

— Então estamos dentro da fonte.

Edwin tocou a superfície da estrutura.

E, por um instante…

o universo respondeu.

Ele não estava mais em Thalassar-b.

Estava em outro lugar.

Outro tempo.

Outra versão.

Beca estava ali.

Mais velha.

Com alguém ao lado.

Um homem.

Ele mesmo.

Um Edwin que não partiu.

Que não lutou.

Que ficou.

Ela sorria.

Feliz.

Completa.

E ele…

Não fazia parte daquilo.

A realidade retornou com violência.

— SINCRONIZAÇÃO!

Edwin ativou a carga.

O tempo voltou a ser linear.

Ou pelo menos…

Parecia.

— Extração em 60 segundos!

A voz de Orion veio pelo canal.

— Vocês acordaram um enxame inteiro.

Alarmes começaram a ecoar ao redor.

O planeta reagia.

As estruturas vivas pulsavam.

Os reptilianos convergiam.

A guerra invisível havia se tornado visível.

Edwin olhou uma última vez para o núcleo.

E soube.

Aquilo não era o fim.

Era apenas o começo.

Porque, em algum lugar entre as dimensões…

Algo havia percebido a presença humana.

E agora…

Estava observando de volta.