NEXUS SINGULAR
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Saga Eco das Realidades - Capitulo 3

Ano 2112: A Última Fronteira da Terra

A humanidade não descobriu a ameaça. Ela foi observada primeiro.

Capítulo 3 — Ano 2112: A Última Fronteira da Terra - Nexus Singular

Durante décadas, sensores apontados para além de Próxima Centauri registraram ruídos estranhos.

Oscilações gravitacionais mínimas.

Interferências eletromagnéticas não catalogadas.

Pequenas distorções na radiação de fundo.

No início, foram ignoradas.

Depois, classificadas.

Por fim… compreendidas.

Havia engenharia por trás daquilo.

Em 2112, a humanidade já não observava o céu com inocência.

Cada anomalia era tratada como possível ameaça.

O universo deixara de ser apenas exploração.

Tornara-se território.

A primeira confirmação veio de um satélite além da heliopausa.

O objeto registrou dobras gravitacionais impossíveis de serem naturais.

Algo manipulava o espaço.

E estava se aproximando.

A análise espectral revelou padrões compatíveis com tecnologia de compressão espacial.

Mas não baseada no modelo Lotbrohorst.

Era diferente.

Mais agressiva.

Mais estável.

Desenvolvida por uma lógica completamente diferente da humana.

O nome surgiu semanas depois:

Khar-Zul.

Não apenas um planeta.

Um sistema.

Uma civilização.

As primeiras sondas enviadas ao espaço profundo não retornaram.

Algumas transmitiram fragmentos antes de desaparecer.

Silhuetas.

Estruturas biomecânicas.

Formas de vida.

Bípedes cobertos por placas orgânicas rígidas.

Olhos que refletiam luz de forma não convencional.

Não eram predadores.

Eram estrategistas.

A confirmação definitiva veio em uma transmissão completa:

O sistema solar.

Marcado.

Catalogado.

Classificado como alvo.

A Terra compreendeu naquele instante:

não havia sido descoberta como curiosidade.

Mas como território.

O Conselho de Defesa Planetária entrou em estado emergencial.

Marte tornou-se indústria militar.

As luas de Júpiter viraram fortalezas.

A Federação Terrestre unificou seus recursos.

A humanidade não tinha escolha.

Ou avançava.

Ou seria eliminada.

O Propulsor Lotbrokhorst deixou de ser apenas exploração.

Tornou-se arma estratégica.

Mas havia um problema.

Khar-Zul já dominava tecnologia semelhante.

E havia muito mais tempo.

Suas rotas indicavam presença em múltiplos sistemas.

Eles não exploravam.

Expandiam.

A primeira incursão humana em território inimigo aconteceu poucos meses depois.

Pequenas equipes de reconhecimento atravessaram sistemas próximos às transmissões reptilianas.

Poucas voltaram.

As que retornaram trouxeram relatos piores que dados militares.

Cidades de rocha negra sob céus vermelhos.

Estruturas vivas integradas à arquitetura.

Atmosferas densas carregadas de compostos desconhecidos.

Uma civilização que não se via como invasora.

Mas como herdeira natural do cosmos.

Espécies frágeis não deveriam sobreviver à escala interestelar.

A guerra não foi declarada formalmente.

Ela começou.

Os primeiros confrontos ocorreram nas regiões externas do sistema solar.

Batalhas rápidas.

Brutais.

A humanidade percebeu rapidamente:

não venceria pela força.

Precisaria de infiltração.

Precisaria de estratégia.

Precisaria atingir o inimigo onde ele não esperava.

Assim nasceram as unidades de penetração profunda.

E assim homens como Edwin passaram a ser necessários.

Ele não comandava frotas.

Não aparecia em transmissões públicas.

Seu trabalho era outro:

atravessar o desconhecido.

operar no invisível.

alterar a guerra sem ser visto.

Enquanto isso, acima das atmosferas hostis dos mundos ocupados, outra elite surgia.

Os pilotos.

Entre eles, um nome começava a dominar relatórios táticos:

Orion “Dreadlock” de Campos.

Seu grupo — o Chacal — tornara-se variável crítica nas simulações.

Onde operavam, as perdas humanas diminuíam.

Onde entravam, formações inimigas eram quebradas com precisão quase matemática.

E ainda assim…

havia algo que os modelos não conseguiam prever.

O fator Lotbrohorst.

Cada salto.

Cada dobra.

Cada travessia.

abria microfraturas entre realidades.

E algo…

parecia responder.

Alguns cientistas começaram a levantar uma hipótese incômoda:

talvez a guerra não estivesse sendo travada apenas no espaço físico.

Mas no multiverso.

Talvez Khar-Zul não estivesse apenas expandindo território.

Talvez estivesse tentando controlar a própria estrutura da realidade.

Se isso fosse verdade…

então a Terra não enfrentava apenas uma civilização.

Enfrentava uma inteligência cósmica.

Dentro da nave de assalto rumo a Thalassar-b, Edwin observava os dados táticos projetados em seu visor.

Rotas.

Defesas.

Assinaturas inimigas.

Tudo calculado.

Tudo previsto.

Exceto uma coisa.

Durante o último salto…

ele viu Beca novamente.

Mais próxima.

Mais nítida.

E, por um instante impossível…

com medo.

Edwin ainda não sabia.

Mas aquela guerra não destruiria apenas mundos.

Destruiria versões inteiras da existência.

E a última fronteira da Terra deixaria de ser o espaço.

Passaria a ser a própria realidade.